Teve um sonho de que a saga continuaria
Seu menino não era o que ele esperou
Inacreditável o que sua menina virou
Pensou então quem culparia
Uma princesa, cresceu e virou sapo
As diferenças gritantes
Manias horripilantes
Ainda que ela tenha tentado fazer algo
Tentou o orgulho, manteve a discórdia
Lágrimas sangraram salgadas
Opiniões jamais mudadas
Formavam aquela história
Discussões prolongadas
Noites não dormidas
Vida mal vivida
Havia aí duas consciências pesadas?
Problemática, bipolar
E ele queria que ela mudasse
Que à forma de princessa voltasse
Procurou de novo alguém pra culpar
As palavras eram agressões
Ela chorou, gritou
Se culpou e machucou
Mas nada a livrara dessas situações
Ele não entendia
Tinha tudo pra ser o melhor
Se sentia superior
Mas ela desmentia
Esforço demais de uma parte,
De menos de outra delas
Quem teria verdadeiras sequelas?
Cicatrizes que eram quase obras de arte
Ela mal encontrara ar
Ele não deixava
Ela não mudava
E ele ainda achava alguém pra culpar
A culpa é da menina
Ela cresceu assim e mudou
Ele não acredita que foi assim que a educou
Ele a tinha dado alguma disciplina
Tudo que ela fazia era tão errado
Ele enlouquecia,
Falava e esquecia
Ele não podia ser o culpado.
Alguém viu isso?
Se viu, ficou calado
Talvez, por não saber quem era realmente culpado
Talvez, por achar ter algum juízo.
Culpem a menina
Melancólica e depressiva
Rabugenta e agressiva
Rebelde e desobediente
Bagunceira e inconsequente
O sorriso largo esboça culpa
Os olhos expulsam culpa
O choro impulsivo na rua é de culpa
O passado cor-de-rosa é culpa
A insônia é por pura culpa
De quem é a culpa?
Minha não é, ponha na menina